Eu tenho uma dificuldade muito grande de falar sobre o que sinto, e sei que isso é algo comum aos seres humanos. As várias formas de se expressar são descobertas por cada um, a seu modo, a seu tempo: alguns escrevem; outros utilizam-se da música: simplesmente ouvindo ou transformando em letras aquilo que tem guardado em si; outros, simplesmente, calam-se... mas eu não consigo ser assim.
É uma mistura de vontades muito louca: uma vontade insaciável de expor esse turbilhão de pensamentos, vontades e visões, contraposta ao desejo de me calar e calar a vontade de que o mundo saiba de tudo que se passa aqui.
Não, eu não vejo a necessidade de colocar minha loucura expressa em textos para que ninguém entenda. Aliás, o que é compreensivelmente impossível, já que nem mesmo a dona desses pensamentos desordenados é capaz de organizá-los de forma objetiva (o que percebe-se, logo, ao tentar ler o que é colocado aqui).
Sentimentos são seus, e não cabe a mais ninguém tentar entendê-los.
Mas, por outro lado, existe a necessidade de colocar pra fora coisas que, por vezes, me deixam confusa, pensativa, que me instigam.
Gostaria de conseguir deitar, à noite, apertar o botão "stop" e, simplesmente, me desligar de tudo aquilo que ronda minha mente. Mas é aí que o contrario ocorre: tudo o que me é mais duvidoso e perplexo se reúne ali, quando eu coloco a cabeça sobre o travesseiro e tento, em vão, descansar. Pensamentos, ideias e inquietações paracem lutar por um espaço maior, espaço que nem mesmo é "configurado para suportar tantos arquivos de extensões diferentes dentro de uma mesma pasta". É, é como se fosse assim: eles brigam e se debatem, tentando tomar uma proporção maior, para conseguir ser pensado e, quem sabe, ser conduzido a uma conclusão lógica. Mas, em questão de segundos, se esvai e os outros tomam o lugar dele, confundindo-se, misturando-se, tonando-se ainda mais complicados.
É aí que mora o perigo. É aí onde se encontra a mais instigante necessidade de colocá-los em ordem, em algum lugar imaginavelmente mais organizado do que o espaço onde se debatem... anda que mais confuso e inútil pareçam.
Portanto, não escrevo com intuito de marcar, sensibilizar, impressionar. Isso é somente a manifestação de uma (entre tantas) das vontades loucas que me levam a lugares imagináveis e incopreensíveis.
Emília, ótimo texto! A mente humana é de fato o maior e mais sofisticado computador, que é movido por sentimentos que por vezes bagunçam nossas pastas, nossos arquivos e nem sequer temos a opção de deletá-los. E, como vc disse, as vezes nem nós mesmos entendemos os nossos sentimentos, muito menos os outros, que nos taxarão de loucos, bregas, etc. Mas é preciso imprimir, imprimir nas páginas da vida o que processamos dentro de nós, quer os outros saibam ler ou não, né rs.
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