terça-feira, 21 de dezembro de 2010

lunar, lunática... adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Lua Adversa, de Cecília Meireles

Esse poema tem ficado muito na minha cabeça. Não, nada tem a ver com dias de lua cheia, eclipses e tudo que os sites estampam por esses dias: é mais ligado ao que anda "estampado em interiores", mesmo. Mais especificamente, no meu.
Fases... de se esconder, se mostrar; se tornar grande e visível ou se camuflar entre as nuvens - que nunca deixam de estar. E assim segue: ela nunca precisou justificar ou nos fazer entender o porquê de suas fases e, no entanto, a beleza é sempre cativante e qualquer um consegue ser tomado por sentimentos puros, tão só obervando sua beleza com mente e coração abertos. Assim deveriamos ser nós, assim deveriam ser os que nos cercam.... simples e simplesmente.

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